Como se calcula se está bom para a praia

Cada dia leva uma nota de 0 a 100. Esta página tem os números todos — os pesos, os limiares, os vetos e as contas — e também o que o modelo não sabe. Um veredicto que não se consegue explicar não merece confiança.

#Os 100 pontos

O esqueleto vem do HCI:Beach (Holiday Climate Index: Beach), de Rutty, Scott e Steiger — o índice revisto por pares desenhado especificamente para turismo balnear. A fórmula original é esta:

HCI:Beach = 2(TC) + 4(A) + 3(P) + W conforto céu chuva vento 20% 40% 30% 10%

Três coisas nele não servem para Portugal, e é por isso que o Praiómetro não usa o HCI tal e qual:

Os 100 pontos do Praiómetro repartem-se assim:

Peso de cada factor na nota final
FactorPesoPorquê
Vento34É o que mais dias estraga em Portugal — e um dia sem vento nenhum nota-se
Sol e céu26A razão n.º 1 para ir à praia
Calor que se sente18A sensação térmica, não o número do termómetro
Temperatura da água14O que decide se se entra no mar
Chuva8Pouco peso porque a chuva a sério está nos vetos

O vento leva mais do triplo do que o HCI:Beach lhe dá. Não é um palpite: é a diferença entre um índice validado no Mediterrâneo e nas Caraíbas e um país onde a nortada é o assunto de Agosto.

#A janela do dia

Tudo é calculado em duas janelas: das 9h às 13h e das 15h às 19h, hora local. Fora delas os dados são ignorados — incluindo as 13h–15h, que ficam de fora de propósito: é a hora de almoço e do sol a pique, e quem vai à praia não está lá. Não há uma única conta neste modelo que olhe para as 14h.

Dentro delas: o céu pela média, a temperatura do ar pelo máximo, a água pela média, a chuva pela probabilidade máxima e pelo acumulado, a ondulação pelo máximo.

O vento é o percentil 75, e não a média. A média achatava exactamente o pico da tarde, que é quando a nortada sopra. Medido no Furadouro: média de 11,2 km/h contra 15,2 no pico. Com a média, o site dizia menos vento do que qualquer outro sítio — e tinha razão quanto à média e nenhuma quanto ao que se sente na areia.

As duas janelas têm cinco horas cada, e blocos do mesmo tamanho importam mais do que parece: o percentil 75 é o mesmo estimador nos dois. Numa divisão de 4 e 5 horas não era — com 4 valores o percentil 75 fica a um quarto do caminho do 3.º para o 4.º, e com 5 dá exactamente o 4.º.

#As duas partes do dia

Há dias em que só vale a pena ir a uma parte do dia. Por isso o cartão mostra sempre a nota da manhã e a nota da tarde, com a sua cor e a sua palavra. Num dia em que as duas são iguais isso também é informação: quer dizer que tanto faz a que horas se vai.

A nota do dia é a média das duas partes

Isto mudou em Agosto de 2026, e mudou por uma razão simples: a conta tinha de fechar no ecrã. Antes, a nota do dia era a soma dos seus próprios factores medidos ao longo da janela inteira — e como a chuva e a ondulação entram por máximo e os milímetros por soma, uma janela longa acumulava sempre mais do que meia. O resultado era um dia sistematicamente mais severo do que as suas próprias partes. Medido em 1200 dias-praia: a média das partes fica 2 pontos acima da nota que o dia dava a si próprio (mediana), e até 12 pontos no pior caso.

Agora a nota do dia é a média aritmética das duas, arredondada. Consequência que se vê no ecrã: a nota do dia cai sempre entre a nota da manhã e a da tarde. Não é uma promessa — é uma identidade, e qualquer pessoa a confirma de cabeça.

O que não mudou: os vetos, o factor limitante, a cor, a nortada e o aviso de sol continuam todos a sair da janela inteira. Um veto é um máximo ou uma soma e não se dilui numa média — a segurança não se faz por médias.

Uma parte chumbada entra na média pela sua soma de factores e, no lugar desse número, o cartão diz por palavras o que a chumbou. Um veto diz «não vás»; não diz «não sei quanto valia» — e um ✕ lia-se como avaria, não como «não vale a pena».

Sempre dois blocos

No cartão, a manhã e a tarde são sempre dois blocos, cada um com a sua palavra e a sua nota. Houve uma versão em que os dias de cor igual vinham num bloco só e o cartão mudava de feitio consoante o dia; foi tirada. Duas caixas todos os dias aprendem-se uma vez e nunca mais surpreendem.

O que continua a depender da cor é o que se diz, e não o que se desenha: na tira dos seis dias, um dia só se anuncia como «Melhor de manhã» ou «Melhor de tarde» quando as duas partes caem em cores diferentes. Um limiar em pontos seria pior: três pontos de diferença entre a manhã e a tarde estão abaixo dos 5,4 pontos de desvio-padrão do desacordo entre os quatro modelos — apontar uma metade por causa disso seria mandar alguém mudar de planos por ruído.

Houve aqui, até Agosto de 2026, um detector que dizia «Vai de manhã: o céu deve fechar à tarde» em cerca de 5 % dos dias, com quatro travões e uma calibração de 2400 dias-praia contra o ERA5 — acertava a parte certa em 96 % das vezes. Foi apagado quando o cartão passou a mostrar as duas notas sempre: um detector existe para revelar o que está escondido, e deixou de haver nada escondido. A medição está guardada em _source/medir-portao.js, para o dia em que voltar a ser precisa.

O que não se divide

A temperatura da água e a ondulação são as do dia, e são essas que cada parte usa para se pontuar — não são recalculadas parte a parte. Variam de um dia para o outro e não de manhã para a tarde, e assim o que se mostra é exactamente o número que a conta usou. O índice ultravioleta também não se divide: é astronomia — um sino com o pico ao meio-dia solar, todos os dias, para sempre.

Um dia com veto — chuva a sério, rajadas perigosas, mar muito cavado — não recebe nota. A divisão do dia não fica por cima de um aviso de segurança.

#A direcção do vento é uma média vectorial

A direcção é uma grandeza circular, e tratá-la como um número normal dá disparates: a média aritmética de 350° e 10° dá 180° — sul, exactamente o oposto de norte. A nortada vive em cima dessa descontinuidade.

Medido com dados ERA5 de Julho e Agosto entre 2019 e 2025: a média aritmética perdia 15 % das nortadas na Nazaré e 38 % em Peniche. A média vectorial não perde nenhuma. Não voltar a trocar por média simples.

#Curvas, e não escadas

As tabelas das secções seguintes dão os pontos por onde a curva de cada factor passa. Entre dois valores da tabela os pontos são interpolados — a nota varia a pouco e pouco em vez de cair de uma vez.

Não foi sempre assim. Até 3 de Agosto de 2026 cada linha era um patamar fixo, e ao passar a fronteira a nota dava um salto: 8 pontos de queda entre 19 e 20 km/h de vento, e 5 pontos entre 24,9 °C e 25,0 °C de sensação — este segundo invisível, porque o ecrã mostra os dois valores como «25 °C». Duas praias com tempo praticamente igual apareciam a 77 e a 64 pontos.

Maior salto de pontos por unidade, antes e depois da interpolação
FactorAntesAgora
Vento, por km/h8,01,8
Sol, por ponto de %8,00,4
Calor, por 0,1 °C6,00,3
Água, por 0,1 °C4,00,3
Chuva, por ponto de %3,00,2

A calibração é a mesma: em 358 dias reais de 60 praias, a nota mudou 2,35 pontos em média, e 94 % dos dias ficaram a 5 pontos ou menos da nota antiga.

#Vento — 34 pontos

Pontos por velocidade do vento (percentil 75 da janela)
VentoPontosO que se sente
≤ 8 km/h34Sem vento nenhum
10 km/h31A toalha fica quieta
14 km/h27Brisa agradável
17,5 km/h23Venta um pouco
22 km/h15Começa a levantar areia
30 km/h7Nortada instalada
36 km/h2Areia na cara
≥ 42 km/h0Impraticável

O planalto no topo existe para premiar o dia calmo. Com tudo o resto igual, uma praia com 6 km/h dá nota 94, e com 22 km/h dá 75 — 19 pontos de diferença, só no vento.

Porque é que o degrau grande está nos 20–25 km/h

Os cortes não são inventados, e vêm de duas linhas independentes que caem na mesma banda:

Uma vem da meteorologia portuguesa e a outra da física eólica, e não sabem uma da outra. É por isso que o degrau grande da tabela está ali, e não noutro sítio qualquer.

Medimos dez Verões de vento hora a hora em 31 praias para perceber quando é que isto aperta: a que horas a nortada acalma — e porque é que não acalma.

#Sol e céu — 26 pontos

Pontos por nebulosidade média na janela
NuvensPontos
≤ 20 %26
30 %23
50 %17
70 %9
90 %4
100 %2,5

Acima de 60 % de nuvens o dia não pode ser verde, por regra própria: é um dia mais tapado do que aberto.

O fundo desta escala esteve plano dos 90 aos 100 % até 13 de Agosto de 2026: um céu sem uma única aberta valia exactamente o mesmo que um céu com 10 % de sol. Foi um acidente de arrastamento — quando o peso do céu desceu de 28 para 26, para dar mais peso ao vento, todas as âncoras foram reescaladas menos o fundo.

Das três medidas de praia publicadas, duas levam o sol a zero: o BCI de Morgan e outros (2000), construído a partir de 1354 banhistas inquiridos, e o TCI de Mieczkowski (1985). A terceira, o HCI:Beach de Rutty e outros (2020), nunca chega a zero. O peso 26 aqui usado não se mexeu porque o BCI — o único que perguntou a pessoas — mede 27 %.

O 2,5 do fundo não é uma medição, e não se finge que é: é o valor mais baixo a que se pode descer sem que o céu, sozinho, passe a pintar dias de vermelho pela regra do factor limitante. Uma manhã em cada cinco em Agosto no noroeste é de céu tapado — 19 % no Furadouro, 25 % em Moledo, medido em onze Agostos —, e nenhuma fonte sustenta que um céu tapado seja, por si só, um «não vá».

#O calor que se sente — 18 pontos

Usa-se a temperatura aparente, e não a do termómetro: é a que inclui o efeito do vento e da humidade. A escala é simétrica — 40 °C estraga um dia de praia tanto como 16 °C.

O lado quente desta curva foi recalibrado em Agosto de 2026, e a razão é um defeito reportado por quem usa o site: a Praia da Rocha com 34 °C no termómetro, sol aberto, sem vento e sem chuva, saía «assim-assim» — o calor dava 6 pontos em 18 e isso chegava para despromover o dia. O planalto acabava nos 31 °C aparentes, ou seja abaixo da mediana das tardes de Agosto no Algarve. Passou a acabar nos 34 °C.

A âncora não é gosto: são 867 inquéritos em 18 praias da Catalunha (Sardá e outros, 2023), o único ponto de desistência medido que existe para o Mediterrâneo — 35,6 °C é a temperatura a que os banhistas dizem que deixariam de ir à praia. E há um resultado mais forte ainda: em praias das Caraíbas, com medição simultânea no local, a 62 % dos banhistas não incomodava um índice térmico de 39 °C, que as escalas genéricas classificam como stress forte. As preferências na areia estão muito acima das que se medem num parque de cidade — há brisa, há água a vinte metros, e a pessoa está parada e pouco vestida.

Medido em 480 partes-dia, com 40 praias do Minho ao Algarve: 13,5 % sobem de cor e nenhuma desce. O Alentejo, os Açores e a Madeira não mudam um único dia; quem mais muda são as praias fluviais do interior.

Uma dívida que não se esconde

A temperatura aparente que o modelo usa inclui a radiação solar. Num dia de céu limpo, o sol dá os seus 26 pontos e ao mesmo tempo tira pontos ao calor — é a mesma variável a puxar nos dois sentidos, e foi isso, mais do que a calibração, que produziu o caso reportado. Alargar o planalto compensa essa contaminação; não a corrige. Fica escrito aqui para que se saiba que esta curva é uma compensação e não uma calibração final, e para que ninguém a mexa ao mesmo tempo que limpa a variável — senão deixa de se poder dizer qual das duas mudanças fez o quê.

O que aparece no ecrã, ao abrir a manhã ou a tarde, é a temperatura do termómetro — é o número que se procura numa aplicação de tempo. A palavra ao lado («Calor de praia», «Muito calor») é que vem da temperatura aparente, porque é ela que dá os pontos. Medido em 96 partes-dia: as duas diferem 1 °C ou mais em 90 % dos casos, e no Verão a aparente é em mediana 2 °C mais alta — é a humidade.

Pontos por sensação térmica máxima na janela
SensaçãoPontos
25 a 34 °C18
23,5 ou 35,5 °C13
20,5 ou 37,5 °C7
17,5 ou 39 °C3
≤ 15,5 ou ≥ 40,5 °C0

#Temperatura da água — 14 pontos

É aqui que um modelo estrangeiro se engana em Portugal inteiro. O Atlântico português anda entre 17 e 20 °C em Agosto, por causa do afloramento costeiro — água fria que sobe do fundo quando a nortada empurra a de superfície para o largo. Medido na API a 2 de Agosto de 2026: Carcavelos 18,1 °C, Nazaré 18,6 °C, Lagos 17,4 °C, Monte Gordo 21,9 °C, Funchal 24,8 °C.

Um modelo mediterrânico, que pede 24 °C para dar nota positiva, marcaria a costa continental inteira a vermelho todos os dias do ano. A escala aqui é portuguesa:

Pontos por temperatura média da água na janela
ÁguaPontosO que se diz na praia
≥ 22 °C14Está boa
21 °C11Dá bem
18,5 °C8Fresca, entra-se aos poucos
17 °C4Fria
15 °C2Muito fria
≤ 13 °C0Gelada

#Chuva — 8 pontos

Pontos por probabilidade máxima de chuva na janela
ProbabilidadePontos
≤ 8 %8
17,5 %6
35 %3
57,5 %1
≥ 70 %0

O peso é baixo de propósito: a chuva a sério não desconta pontos, veta o dia.

#O factor limitante

Uma soma ponderada tem um defeito conhecido, e é a crítica que a literatura faz aos índices aditivos como o TCI e o HCI: um factor catastrófico é mascarado pelos outros. Medido durante o desenvolvimento: 38 km/h de vento dava 60 pontos, porque o sol e a ausência de chuva compensavam. Numa praia, 38 km/h manda toda a gente embora, faça o sol que fizer.

Por isso, além da soma:

A regra aplica-se ao sol, ao vento, ao calor e à chuva — o que determina se se consegue estar na areia. Não se aplica à água: o mar gelado impede o banho, não impede o dia de praia.

#Os vetos

Estas condições mandam o dia para vermelho sozinhas, independentemente da pontuação. Um dia com trovoada não é um dia «médio».

Condições que vetam o dia
CondiçãoNota
Chuva acima de 70 % de probabilidade, ou 2 mm acumulados dentro da janelaEra o acumulado do dia inteiro: 79 % dos vetos vinham de chuva de madrugada e chumbavam tardes de sol
Vento acima de 45 km/h, ou rajadas acima de 65 km/hAviso de segurança
Sensação térmica máxima abaixo de 16 °C—
Ondulação máxima acima de 2,5 mAviso de segurança. Só em praias de mar

Os vetos marcados como aviso de segurança são ditos noutro tom e noutra cor: um aviso no mesmo amarelo que «a água está fria» é um aviso que ninguém lê. E um dia vetado não pode mostrar a nota que teria sem o veto — um 94 na tira ao lado de «Hoje não» destrói a confiança em tudo o resto.

A trovoada avisa, mas não decide

A trovoada foi um veto até 6 de Agosto de 2026. Deixou de o ser, e a razão foi medida antes de se mexer em nada.

Em 720 dias-praia reais, 22 tinham trovoada prevista. Em 11 deles a trovoada era o único veto — e esses 11 seriam todos verdes sem ela, com nota média de 85, entre 21 % e 44 % de nuvens e 12 a 20 km/h de vento. Nenhum era amarelo. Nenhum era vermelho.

Ou seja: o veto não estava a apanhar dias maus. Um dia com trovoada a sério já é chumbado pela chuva — mais de 70 % de probabilidade, ou 2 mm acumulados na janela — e foi o que aconteceu nos outros 11. O único efeito que o veto tinha era transformar dias de 80 a 91 pontos num «Hoje não» sem nota.

A causa está no gatilho, e são duas coisas. A primeira: basta uma hora da janela das 11h às 19h com código de trovoada para o dia inteiro contar. A segunda, pior: o consenso entre os quatro modelos meteorológicos usava o máximo do código, e por isso bastava um modelo a ver trovoada para os outros três serem ignorados.

Medimos quanto é que isso custava. Em 21 dias-praia com aviso de trovoada:

Quantos dos quatro modelos concordavam, quando o site avisava
Modelos de acordoDiasFracção
1 em 41990 %
2 em 415 %
3 em 415 %
4 em 400 %

Nove em cada dez avisos vinham de um modelo isolado a contrariar os outros três. Num caso concreto, na Praia de Caminha a 8 de Agosto de 2026: às 18h o UKMO via trovoada, e à mesma hora o ECMWF dizia chuvisco, o ICON dizia nuvens e o GFS dizia céu limpo. O Praiómetro avisava; nenhum outro site avisava, e tinham razão.

A trovoada passou a exigir que pelo menos dois dos quatro modelos a vejam na mesma hora. O efeito medido no país inteiro: de 22 avisos para 2 em 720 dias-praia — e esses dois em dias que a chuva já vetava.

O aviso mantém-se, e no tom de perigo. O que mudou foi quem decide: estas cores dizem se vale a pena ir, não se é seguro estar. Num dia de nota 86 com trovoada prevista, o site diz «Dia de praia» e «Aviso de segurança: pode haver trovoada. Se ouvires trovões, sai da água e da praia.»

#Verde, amarelo, vermelho

Da nota ao veredicto
NotaCorVeredicto
≥ 70VerdeDia de praia
45 a 69AmareloAssim-assim
< 45VermelhoFica para outro dia

Estas cores dizem se vale a pena ir — não se o mar está seguro. São o mesmo verde, amarelo e vermelho que as bandeiras das praias portuguesas usam para outra coisa completamente diferente. Na praia, a bandeira do nadador-salvador manda sempre.

#Praias de rio

«Rio» aqui quer dizer «a grelha marinha não descreve esta água», e não «não tem água salgada». Oito praias de ria, de estuário e de lagoa costeira contam como praias de rio, e a razão é simples: a Open-Meteo não tem célula marinha dentro de uma ria. Quando se lhe pergunta pela Praia da Armona-Ria, ela responde com a célula do oceano aberto — a mesma que serve a Armona-Mar, a 1,3 km, virada ao Atlântico. O que isso fazia à nota está medido mais abaixo.

Numa praia de rio não há dados de mar nenhuns. A nota passa a ser a proporção dos pontos obtidos sobre os 86 pontos que restam, o que equivale a redistribuir os 14 da água pelos outros factores.

Isto tem uma consequência que é preciso conhecer. A escala da água é absoluta, e o Atlântico raramente chega ao topo dela: em Agosto uma praia do noroeste anda nos 18 °C, que valem 8 dos 14 pontos. Uma praia de rio não carrega esse arrasto. Medido com tempo exactamente igual — céu a 15 %, vento a 12 km/h, 27 °C, sem chuva:

A mesma meteorologia, três praias diferentes
PraiaNota
De mar, água a 18,5 °C89
De mar, água a 22,5 °C (Algarve)95
De rio94

São 5 pontos de diferença entre mar e rio no mesmo dia, e chegam para virar um amarelo em verde perto do corte dos 70. A nota de uma praia de rio responde bem à pergunta «este dia presta nesta praia?», mas não é directamente comparável com a de uma praia de mar. Por isso as praias de rio aparecem marcadas com «rio» na pesquisa e na tira de favoritos, que é onde as duas apareceriam lado a lado.

#Rias e lagoas costeiras

Uma ria, uma lagoa costeira e uma barrinha têm água do mar — e a previsão marinha descreve-as mal. A grelha da Open-Meteo não tem célula lá dentro: quando se lhe pergunta por um ponto dentro da ria, ela encaixa no oceano aberto mais próximo e responde com os números de lá. Não avisa que o fez.

O resultado estava no ecrã. Medido no arquivo de Junho a Setembro de 2025, na janela das 9h às 19h:

PraiaDias com «mar muito cavado»Nota média
Foz do Arelho-Lagoa, como estava19 de 122 (15,6 %)58,7
Foz do Arelho-Lagoa, corrigida068,0
Carcavelos, mar aberto4 de 122 (3,3 %)—

A lagoa levava quase cinco vezes mais avisos de mar cavado do que uma praia oceânica, por ondulação que ela não tem — e perdia nove pontos de nota média por causa disso. No sentido inverso, a temperatura do Atlântico servida a uma lagoa fechada tira-lhe pontos de água que ela tem de sobra no Verão.

As oito passaram a contar como praias sem dados de mar: a Armona-Ria, a Fuseta-Ria, o Farol (ria), a Tavira-Ria, a Foz do Arelho-Lagoa, a Lagoa de Albufeira, a Barrinha de Esmoriz e a Praia Fluvial da Lenta, no estuário do Minho a 10 km da foz — a única praia com «fluvial» no nome que a API marinha classificava como mar. Não há regra automática que as encontre — o nome não chega (a «Praia da Lagoa» é no concelho de Lagoa e é mar aberto) e a API marinha responde em toda a costa, portanto nunca diz «esta água não é minha». São escolhidas à mão, uma a uma, e a razão de cada uma está escrita no código.

#O que este modelo não sabe

Escrito aqui para não se fingir que sabe:

#De onde vêm os dados

Meteorologia da Open-Meteo (CC BY 4.0), com a média de quatro modelos: ECMWF, ICON, GFS e UKMO. A dispersão entre modelos não é pequena — medido no Furadouro, no mesmo ponto e na mesma janela: ECMWF 10,8 · ICON 11,2 · KNMI 12,7 · Météo-France 13,5 · UKMO 13,8 · GFS 16,0 km/h. São 1,6 vezes entre o mais baixo e o mais alto, e o modelo por omissão calhava no extremo baixo. Dados de mar da Open-Meteo Marine.

Lista de praias do OpenStreetMap (ODbL). Concelhos e distritos da Carta Administrativa Oficial de Portugal, da Direcção-Geral do Território.

Esta página descreve o modelo tal como está em produção. Os números foram conferidos contra o código antes de serem publicados, e há um teste que falha se os dois deixarem de bater certo.

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